Estudo de Viabilidade

Estudo de viabilidade para construção: o que é e por que fazer antes do projeto

Antes da planta definitiva, é preciso verificar se necessidades, legislação, terreno e orçamento são compatíveis entre si. Veja como funciona cada etapa.

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Mesa de arquiteto com planta de implantação, escalímetro e levantamento topográfico usados em estudo de viabilidade
Imagem ilustrativa

Construir uma residência ou investir em um pequeno empreendimento não deveria começar pela elaboração definitiva da planta. Quando o projeto nasce antes das perguntas certas, é comum descobrir tarde demais que a legislação não permite a área desejada, que o terreno exige soluções caras ou que o custo da obra está muito acima do orçamento.

Antes do projeto, é recomendável verificar quatro compatibilidades fundamentais:

  1. as necessidades do cliente;
  2. a legislação;
  3. a capacidade física do terreno;
  4. o orçamento disponível.

O estudo de viabilidade é justamente a etapa que coloca essas quatro variáveis lado a lado. Na Isaias Baptista Arquitetura, o Estudo de Viabilidade é organizado em quatro etapas, em uma sequência que evita decisões baseadas em suposições.

As quatro etapas do estudo

  1. 01Entrevista e programa de necessidadesO que se pretende construir, para quem e com quais restrições.
  2. 02Viabilidade técnica e legalO que a legislação vigente permite naquele terreno.
  3. 03Viabilidade numérica e físicaSe o programa cabe no lote respeitando a legislação.
  4. 04Viabilidade financeiraSe o custo provável é compatível com o orçamento.

1. Entrevista e programa de necessidades

A primeira etapa é uma conversa estruturada com o cliente, presencialmente ou por videoconferência. O objetivo é transformar desejos, necessidades e restrições em um programa de necessidades inicial, ou seja, uma lista organizada do que o edifício precisa conter.

Nessa conversa são levantados, entre outros pontos:

  • número de moradores ou usuários;
  • ambientes pretendidos;
  • áreas mínimas de cada ambiente;
  • relação entre ambientes;
  • circulação e fluxos;
  • hábitos da família;
  • necessidades futuras, como crescimento da família ou envelhecimento;
  • restrições específicas;
  • características desejadas para a edificação;
  • orçamento preliminar.

Não é tecnicamente possível avaliar se o terreno atende ao cliente sem primeiro compreender o que ele pretende construir. Um mesmo lote pode ser excelente para uma casa térrea de três dormitórios e inadequado para um programa de cinco suítes com garagem para quatro carros.

2. Estudo de viabilidade técnica e legal

Na segunda etapa, o terreno é analisado à luz da legislação urbanística. São verificados:

  • município e localização exata do terreno;
  • legislação urbanística vigente;
  • zoneamento e usos permitidos;
  • recuos frontais, laterais e de fundo;
  • taxa de ocupação e coeficiente de aproveitamento;
  • taxa de permeabilidade;
  • altura ou número de pavimentos permitidos;
  • demais restrições aplicáveis, como regras de loteamento ou condomínio.

A legislação varia conforme o município e pode sofrer alterações ao longo do tempo. Por isso, qualquer estudo real deve utilizar a legislação vigente na data da análise, e não informações de terceiros, anúncios ou experiências de outros terrenos.

3. Viabilidade numérica e física do terreno

A terceira etapa responde a uma pergunta objetiva: o programa de necessidades cabe no terreno respeitando a legislação? Para isso, são avaliados:

  • área do terreno;
  • largura e profundidade;
  • geometria do lote;
  • orientação solar;
  • topografia;
  • acessos de pedestres e veículos;
  • área pretendida pelo cliente;
  • área potencialmente edificável;
  • distribuição preliminar das áreas.

Terrenos com a mesma área podem apresentar potenciais construtivos muito diferentes. Um lote estreito e profundo, com recuos laterais obrigatórios, pode perder grande parte da largura útil. Um terreno em declive pode exigir contenções que ocupam espaço e aumentam o custo. A área em metros quadrados, sozinha, não diz o que é possível construir.

4. Viabilidade financeira

Uma solução pode ser legal e fisicamente possível, mas incompatível com a capacidade de investimento. A quarta etapa avalia:

  • área construída preliminar;
  • padrão da edificação;
  • complexidade da solução;
  • topografia e movimentação de terra;
  • soluções construtivas prováveis;
  • estimativa preliminar do custo.

O objetivo é comparar o custo provável com o orçamento disponível antes de avançar para o projeto completo. Se houver incompatibilidade, ainda é possível ajustar o programa, o padrão ou mesmo reconsiderar o terreno, sem ter investido em um projeto que não será executado. O artigo sobre quanto custa construir uma casa detalha essa lógica.

O que o estudo responde

  • Posso construir o que desejo neste terreno?
  • A legislação permite?
  • Qual pode ser a área construída?
  • A topografia dificulta o projeto?
  • O programa pretendido cabe no lote?
  • O investimento é compatível com o orçamento?
  • Vale a pena comprar este terreno?

Quando fazer um estudo de viabilidade?

O estudo é especialmente útil nas seguintes situações:

  • antes de comprar um terreno;
  • antes de contratar o projeto completo;
  • quando existe dúvida sobre o potencial construtivo;
  • ao avaliar um terreno para investimento;
  • antes de definir o programa residencial;
  • ao analisar um pequeno empreendimento imobiliário.

Quem ainda está escolhendo um lote pode aprofundar o tema em como analisar um terreno antes de comprar.

Residência ou pequeno empreendimento: a lógica é semelhante?

Os objetivos são diferentes. Na residência, a prioridade é o modo de vida da família. No pequeno empreendimento, pesam também o número de unidades, a área vendável e o retorno esperado. A sequência lógica de decisão, porém, é a mesma:

Sequência de decisão

  1. Necessidade
  2. Legislação
  3. Terreno
  4. Área possível
  5. Custo
  6. Decisão

Pular uma dessas etapas significa tomar a decisão seguinte com uma informação que ainda não foi verificada.

Conclusão

O objetivo do estudo não é substituir o projeto arquitetônico. Ele ocorre antes. Sua função é reduzir incertezas e criar uma base objetiva para decidir se o projeto deve avançar e em quais condições.

Quer saber o que é possível construir no seu terreno?

Antes de iniciar o projeto, avalie legislação, potencial construtivo e compatibilidade com o orçamento.

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